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quarta-feira, 6 de junho de 2012
domingo, 29 de janeiro de 2012
Era da Cultura da Convergência e Ensino
Professor fundador do programa de Estudos de Mídia do famoso MIT (Massachusetts Institute of Technology - praticamente um ninho de geeks e nerds com QI nas alturas), Henry Jenkins (quem mantém um blog de ensaios - www.henryjenkins.org) é um desses caras visionários e que vê nas ferramentas tecnológicas oportunidade de melhoria da capacidade do ser humano pesquisar, estudar e construir uma mente mais aberta a soluções mais criativas sobre educação em todos seus níveis.
Li recentemente sua obra, cuja capa está no início desse post. Embora ligeiramente desatualizada, a edição de 2008 já trazia informações que se confirmaram verdadeiras e outras que ainda permanecem atuais, apontando possíveis caminhos para lidar com a informação e suas novas vias de "escoamento" e vazão. E não é isso que a Educação faz também? Desde minhas toscas apostilinhas xerocadas até as atuais Salas Virtuais, AVAs e tutoriais de ensino, acompanhei essa transição das formas de obtenção de informação com olhos otimistas.
Dizer que o carro é o responsável por tirar a vida de milhões de pessoas é o mesmo que atribuir a responsabilidade de todos os acidentes à máquina e não à condução irresponsável de um automóvel ou ao péssimo estado de nossas estradas. Não importa a tecnologia (midiática ou não) - sempre será seu o modo de utilização pleos seres humanos que conduzirá a resultados positivos ou negativos.
Então até certo ponto do passado, tínhamos que buscar informações em jornais impressos, revistas, periódicos, livros. As mídias atuais permitem isso em um acervo gigantesco que inclui textos, vídeos, imagens etc, porém exigem capacidade de leitura, participação, interação do usuário e até mesmo sua contribuição para a formação de mais informação (taí a wikipédia, por exemplo). Como ainda temos ambas as mídias (tradicionais e atuais) em coexistência, observamos diariamente um duelo entre ambas. Não é preciso dizer quem está ganhando esse combate, não é?
Sejam alunos ou consumidores, não basta mais a informação estagnada e engessada. Ao usar um sistema de busca, um estudante tem acesso a n informações sobre um tema e um texto acessado oportuniza outros links e assim por diante. A revolução da cultura da convergência se trata do uso crítico das ferramentas digitais e de sua melhoria pelos próprios usuários. Professores e alunos não serão perguntados se gostam ou não desse jeito: ele está ai e é um fato. A revolução já se iniciou...
A cultura da convergência aponta para a necessidade de apropriação e resignificação de conceitos e pré-conceitos e para a necessidade premente de "letramento" de nossos estudantes. Ou seja, você pode ter um mega computador, banda larga whatever...mas se não souber ler (inclusive em inglês), interpretar e analisar um texto, você fica na mesma que alguém sem as mesmas facilidades. A inclusão digital portanto não se resolve com a presença física de computadores. Isso é apenas a estrututa básica. É o uso, exploração e aproveitamento crítico das informações que de fato incluem indivíduos.
E voltamos então à questão principal: como alfabetizar, ensinar a ler, interpretar um texto? Como ensinar a redigir um texto coerente? Como ampliar o horizontes de idéias e pensamento crítico acerca de nossa realidade?
Recomendo a leitura, mesmo sendo um livro do remoto ano de 2008. Leitura gostosa e possível mesmo para leigos em marketing e mídias. Obrigatória para educadores, especialmente aos resistentes à era digital. Não, não há soluções mágicas. Mas a observação e a análise de fenômenos midiáticos como, por exemplo, a febre da série Harry Potter, são um prato apetitoso para quem tem fome de entender, cada qual em sua realidade, como abraçar de modo profícuo e eficaz as novas mídias (dentro do que cada uma oferece) ou de como preparar as novas gerações para que se beneficiem das mesmas.
Abra sua mente. A Era da convergência cultura está em andamento. Só que nosso país ainda sofre com o descaso do Estado no início de todo esse projeto: saber ler (de fato) e desenvolver um raciocínio crítico. Enquanto não exigirmos e darmos condições democráticas de acesso à educação fundamental e média, jamais seremos agentes de transformação. Jamais nos beneficiaremos da cultura da convergência. Teremos uma nação de estudantes estagnados no control c + control v.
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Você pode pensar: nosso país é pobre, muita gente não tem acesso a nada...Sim, você tem razão. Nosso país ainda sofre com falta de saneamento básico. Não falta dinheiro. Somos o país dos impostos. Falta fiscalização do governo, postura ativa do eleitor, saúde e educação. Então, nosso caminho será mais longo para que uma população maior se beneficie da referida cultura. Mas é possível. Basta investirmos quantias realistas em educação básica e fundamental e na estrutura de vida de nossos cidadãos. Enquanto isso não ocorrer... Teremos a maior nação do planeta à margem da Cultura da Convergência, embora sejamos campeões em usuários de redes sociais (que podem ter seu uso modificado e melhorado com a abertura das mentes).
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Pos-post: Comprei meu exemplar no estantevirtual.com.br bem baratinho e em excelente estado. Ficadica!
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Um toque de Derek Bok
"SE VOCÊ ACHA A EDUCAÇÃO CARA, EXPERIMENTE A IGNORÂNCIA"
DEREK BOK - ex-Reitor de Harvard
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| Quanto mais ignorância, melhor para os que se mantêm no poder... |
Então, se você conseguiu chegar a um curso superior (em qualquer área) PARE de reclamar que há muito a ser estudado, de querer facilidades por "estar pagando", pare de se comportar como um cliente numa loja de roupas.
Você está pagando, investindo para ser EDUCADO, formado. Não para ter regalias ou ter tudo de mão beijada. Isso é um equívoco comum numa sociedade que há muito inverteu a prioridade dos valores "ser" e "ter". Não importa se você trabalha e paga seus estudos ou se ele é bancado por pais etc. APROVEITE A CHANCE DE SE DESENVOLVER. ABRA SUA MENTE. NADA DO QUE SE APRENDE É PERDIDO. PODEM TE TIRAR TUDO, MENOS O CONHECIMENTO QUE CARREGA EM VOCÊ.
Então, moçada, bora pensar diferente em 2012?!
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domingo, 23 de outubro de 2011
O Pan, as Olimpíadas, a Copa e eu
Adoro, simplesmente a-do-ro, Pan e Olimpíadas. Não dou a mínima para Copa do Mundo. Por quê?
Talvez porque os atletas das diversas modalidades formem uma comunidade bacana e humana nas vilas em que se hospedam, porque torçam uns pelos outros, porque tenham uma vida árdua e muitas vezes nem possam viver do esporte ao qual se dedicam. É mais raça, menos dinheiro, menos holofotes, menos endeusamento.
Gostaria que todos os atletas pudessem se dedicar exclusivamente ao esporte. Mas no país do futebol, sabemos que esta não é a realidade. E talvez seja por esse motivo, por solidariedade de uma modesta professora, que não simpatizo com o mundo do futebol. É muito dinheiro, muita permissividade, muita mídia. Para mim, todos os esportes são importantes e isso não combina com a visão do brasileiro médio. Outra coisa injusta: apesar de ser um esporte coletivo, no futebol são eleitos os craques. Como se o time não contribuísse para os resultados.
Futebol que me faz torcer é portanto o feminino. Algumas meninas já jogam fora do país. O país do futebol é também o país machista, dos homens. São meninas simples, que convivem com o preconceito e que apesar de tudo, jogam bonito.
Estou achando a Copa do Mundo no Brasil um verdadeiro esquema de desvio de verbas públicas (sou paranóica ou escaldada?). Uma maquiagem grotesca num país que não investe quase nada em esporte. Não investe nem em educação, nem em saúde. Sinto vergonha de pagar tanto imposto e ver quase nada sendo revertido para a população.
Cresci praticando esporte. No meu caso foi o tênis e o basquete, apesar de jogar de tudo um pouco. Cresci aprendendo que a prática desportiva é saúde e que nos ensina muito. Quantas crianças não estão por aí, largadas, sem a mesma chance? Se tivessemos governo sério, seria muito diferente. Se tivessemos um povo que levasse as eleições mais a sério, quem sabe?
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| "Cada povo tem o governo que merece" |
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Igualdade indesejada
Já há muito tempo, especialistas vêm chamando a atenção para o crescente número de mulheres jovens abusando de bebida alcoólica (algumas desenvolvendo inclusive o alcoolismo). Com os movimentos feministas, que lutaram por condições de igualdade entre homens e mulheres na sociedade, uma confusão parece evidente nas gerações posteriores, que já nasceram desfrutando de melhores condições na sociedade.
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A confusão é, enquanto mulher, julgar-se igual ao homem do ponto de vista físico, orgânico. A confusão é entender que hábitos como beber demais, fumar etc, anteriormente quase exclusivos da macharada, provoquem em um organismo feminino o mesmo impacto deletério. Infelizmente, estudos revelam que o álcool, por exemplo, tem um afeta mais negativamente e em menor prazo as usuárias, quando comparadas aos usuários.
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A inserção no mercado de trabalho, a conquista de cargos de chefia, o maior número de mulheres se realizando profissionalmente e tornando-se independentes dos desmandos machistas é um tesouro valioso, negligenciado por atitudes que compromentem a saúde da mulher. Falta de informação? Mas justo na geração da internet? Crença da juventude eterna, comum na juventude? Falta de auto-estima? Ou tudo isso junto e misturado?
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Não sou puritana. E quem nunca tomou um porre na vida,que atire a primeira caneca. O problema é que nunca a juventude bebeu e se drogou TANTO, nunca se teve tamanha variedade de drogas e acesso farto ao álcool apesar da disponibilidade de rios de informação. Mas informação é diferente de formação. Educação sentimental já. Por que ninguém percebe a demanda urgente de psicólogos nas escolas e de programas que estimulem o auto desenvolvimento dessa juventude? Não é fácil ser jovem, nunca foi. Por que não fazemos nada? As escolas batalham para conseguir ensinar a ler e escrever e isso já está difícil. Sem investimento, não há resultado. Falta o básico. Mas na escola dos meus sonhos, disciplinas como "Auto cuidado", "Educação sentimental" , "Filosofia" e "Ética" figuram na grade. Nada de nota, nada de pressão. Espaços para aprender, ouvir, falar, observar, debater e ajudar o jovem a resgatar valores importantes. Nada de hipocrisia, nem moralismo. Sonhar é bom...
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Homens e mulheres serão sempre distintos organicamente. Não significa maior fragilidade feminina, apenas particularidades, também presentes na fisiologia do corpo masculino (que também não aguenta de tudo, como alguns machões insistem em crer...). Aguardo campanhas e investimentos para a saúde da mulher em especial, curiosamente esquecida num país com uma presidenta.
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| Amy Winehouse - talento jovem ofuscado pelas drogas e álcool |
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Meritocracia - What?!
Em meus papos facebookianos com minha amiga Claudinha, cujo sobrenome é "bom gosto" (sempre vale ressaltar, pois é artigo raro no mundo! Taí uma pessoa fashion por natureza...) surge a palavra meritocracia, numa nerdice que me deu num certo momento de revolta cívica. Enfim, esse tipo de coisa que rola pós-eleição e pós-ENEM bichado. Sabe quando alguem te pergunta uma coisa que você sempre fala, mas pela pergunta te desperta uma dúvida inesperada? (por exemplo, você bebe leite todo dia, mas alguém te pergunta se leite é "solução" ou "suspensão" ou "emulsão", sabe? Daí você tem que checar? Resp: suspensão- e sei disso por minha Quimio-amiga Dani, a professora de química mais bonita que já vi! Puta preconceito dizer isso, mas...whatever)
Direto do dicionário dos vagais ocupados como eu (ou seja, Google e Wikipedia) tá lá :
"MERITOCRACIA (do latim mereo, merecer, obter e o sufixo cracia indica "governo, comando") é um sistema de governo ou outra organização que considera o MÉRITO a razão para se atingir determinada posição. Em sentido mais amplo, pode ser considerada uma ideologia (ah, com certeza, talvez até uma utopia!). As posições hierárquicas são conquistadas, em tese, com base no MERECIMENTO e entre os VALORES ASSOCIADOS estão EDUCAÇÃO, ÉTICA/MORAL, aptidão específica para determinada atividade (vulgo "talento")."
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Obviamente que avaliar/quantificar o mérito é tarefa subjetiva inerentemente. Sempre haverá espaço para dúvidas em certos casos. Uma prova teórica é capaz de avaliar toda dimensão de um ser humano? Seu grau de instrução, obrigatoriamente, o define como pessoa? Toda pessoa tecnicamente preparada tem ética?
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São muitas questões e é por este motivo que o tema me instiga em meu ofício. Tenho buscado ler sobre pedagogia, didática e sobre ensino para buscar esta "utopia" em minhas salas de aula. Não estou nem perto de conseguir, neste universo pequeno e sob meu total controle de decisão. Imagino o que não deva ser numa escala federal, na nossa política por exemplo, nos cargos públicos, nas seleções de uma empresa. Nem sei se é viável...
Só sei que quanto mais leio, mais perguntas tenho e mais me apaixono pelo tema.
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| Genética: meritocracia FAIL nos esportes! |
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
O último gentleman
Meu avô João nos deixou ontem. Sem alarde, sem barulho, quase de modo organizado e recolhido, do mesmo modo como viveu, na casa onde viveu a maior parte da vida.
Nunca vi meu avô de mau humor ou falar de modo ríspido com alguém. Nunca um gesto de grosseria ou truculência. De quantas pessoas você pode dizer isso? Isso não as diminui, somos todos falíveis e humanos, mas sempre me causou admiração a educação e controle de meu avô. É lógico que devia sentir muitas coisas como todos nós, querer esganar alguém de vez em quando, enfim, como qualquer um. Mas seu modo de expressar (ou não) tudo isso ou sua aceitação sobre os limites do mundo e seus próprios, talvez o impedisse de tornar as coisas ainda piores com reações destemperadas. Curiosamente, sua esposa (minha avó) era uma mulher de gênio forte e inquieto, que falava bastante e ria alto, uma gargalhada deliciosa da qual terei saudade enquanto viver. Foram casados uma vida inteira, até que ela se foi primeiro, deixando uma cadeira de balanço vazia ao lado da de meu avô. Nunca vi uma cadeira assumir um tamanho tão grande. E acho que nunca conheci um homem tão respeitoso com a esposa e com a figura feminina. Nunca vi ou ouvi qualquer vulgaridade (nem de brincadeira) que diminuísse a sua ou qualquer outra mulher. Pelo contrário, era um gentleman que tratava com carinho único desde a garotinha feinha e desdentada que fui até sua própria filha (minha mãe). Toda menina deveria ter um avô como esse. Passei horas de minha infância sentada como um gatinho ao seu lado no sofá, cochilando sentada, enquanto ele coçava minhas costinhas pacientemente. Eu poderia pedir-lhe a qualquer momento que coçasse minhas costas, ele nunca dizia não.
Na minha infância eu tinha uma adoração por cabelos masculinos, não me pergunte a razão. Meu avô deixava que eu fizesse o que quisesse com seus cabelos em processo de rareamento. Enquanto assistia TV, meu avô tinha os cabelos molhados, puxados, esticados, modelados por horas. Nunca deu um pio, pobrezinho, enquanto eu ensaiava passos de cabeleireira maluca. E fazia o mesmo com sua filha, que certa feita prendeu um pente em suas madeixas de um tal modo que uma tesoura foi necessária para solucionar o enrosco.
Quando ia nos visitar na fazenda onde morávamos, sempre me trazia gingibirra (daí meu vício). Por vezes me trazia folhas imensas de um papel claro, usado em seu armazém para embrulho, e que se transformavam em imensas telas para eu desenhar (não havia papel suficiente no mundo para tantos desenhos que eu trazia dentro de mim). Delícia.
Meu avô tinha um senso de humor irônico, especial, e tiradas que nem todos sacavam. Creio que minha prima Dani, quem mais conviveu com ele, deva ter uma lista imensa em sua mente de suas frases engraçadas e da graça que era assistir seu convívio paciente com minha avó.
Meu avô dobrava seu próprio pijama quando acordava. Minha mãe dizia (não sei se por brincadeira) que ele dobrava até a roupa suja que dispensava. Ele era capaz, quando mais novo, de usar um banheiro e tomar banho etc e sair de lá parecendo que ninguém havia usado o lugar (motivo pelo qual tomei para mim ser esta a marca máxima de fineza de qualquer pessoa). Um mestre na arte de não incomodar o próximo, arte esquecida e sequer aprendida nos dias atuais.
Este homem, que se foi ontem, foi o responsável pela construção do ideal de avô que carrego em mim, referência de fineza e elegância em qualquer situação. O mundo ficou menos bonito, os sons parecem tão altos hoje, chega a doer o ouvido, não sei ... Talvez já seja sinal da saudade da presença silenciosa de meu avô.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Câncer de mama - números do descaso
Não costumo fazer isso, mas o assunto é tão importante que vale a reprodução de um trecho da reportagem que saiu no Yahoo News:
"Números e dados chocantes sobre câncer de mama no Brasil - a doença que mais mata mulheres no país, por detecção tardia - foram divulgados nesta quarta-feira (29/09), num evento da campanha Avon Contra o Câncer de Mama. Cerca de um terço das 1000 mulheres de 70 cidades em todo o Brasil ouvidas numa pesquisa inédita sobre o tema, conduzida pelo Instituto Avon/Ipsos, nunca fez exames clínicos e só 40% das entrevistadas acima de 40 anos faz mamografia regularmente.
A pesquisa identifica que o baixo índice de informação aliado à precariedade do atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) são os grandes vilões dos altos índices de mortalidade provocados pela doença, que tem 95% de chances de cura se detectada em estágio inicial - o que só é possível com a mamografia. Já que 77% das mulheres ouvidas usam o SUS por não possuir plano de saúde, a pesquisa deixa claro que grande faixa da população feminina não passa pelo exame clínico nos consultórios nem tem o pedido de mamografia como procedimento de rotina dos médicos que as atendem (...)"
.Minha mãe teve câncer de mama. Ela sempre teve acesso a médicos e informação. Ela teve um diagnóstico bem no começo da doença. Suas chances de cura foram boas e ela se curou. Não foi milagre, embora eu seja uma pessoa espiritualizada. Foi informação e competência. Infelizmente, minha mãe é exceção no país que vivo, porque só teve o atendimento que teve porque sempre pagou um plano de saúde. E as milhares que não podem? Penso e fico revoltada e enojada. A corrupção, a ignorância e o descaso com o povo corroem qualquer modelo ou projeto de atendimento...
O modelo do SUS, no papel, é uma beleza. Sério. Mas só seria eficaz se o que está no papel pudesse ser concretizado de fato. Promover Saúde do coletivo requer INVESTIMENTO e PLANEJAMENTO. Grana, bufunfa, arame, money, pila associadas a administradores competentes. E bons profissionais da sáude, que não se formam do dia para noite, muito menos num sistema de ensino que sequer reprova (sim, estou pondo o dedinho na ferida da escola pública). Um bom profissional é um cara que "começou bem". Fez um primário bem feito. Aprendeu a ler e pensar. Teve uma escola boa com professores valorizados.Tem gente que acha educação uma coisa cara. A ignorância nos custa mais e o "preço" tende a aumentar. Ter uma escola com investimentos públicos miseráveis como atualmente ocorre é quase como não ter. Nosso país está formando uma legião de analfabetos funcionais. Eu fico indignada ao ver essa realidade porque estudei numa época em que a escola pública era a que tinha o ensino "forte". Fui fazer o colegial em uma instituição particular porque, meados da década de 80, a decadência do ensino público começava a surgir... (por favor, sei que ainda há muitas escolas públicas boas, mas são casos isolados e fruto de esforço, fatores locais e sacrífício pessoal de algumas pessoas - infelizmente não são a regra em nosso país).
E daí? E daí que essas pessoas serão pacientes sem capacidade de se informar e cuidar melhor da própria saúde e de sua família. A doença começa, muitas vezes, com a ignorância. A doença pode ter diagnóstico tardio e matar por causa da falta de informação... A reportagem indica que as mulheres sequer estão sendo examinadas clinicamente. Se elas tivessem informação, poderiam fazer auto-exame todo mês. Poderiam exigir a mamografia ou o ultrassom anual a partir dos 40 anos ou antes (em caso de histórico materno). Se tivessem recebido uma boa educação, poderiam aprender a votar e acompanhar o trabalho dos governantes...
Domingo teremos eleições. Tudo indica que o Tiririca (que é analfabeto e uma piada de mau gosto em uma eleição) será eleito deputado. Tudo indica que uma senhora destemperada, despreparada e corrupta também será colocada no comando do país ...
Durante a posse de ambos, nossas mulheres estarão morrendo doentes e ignorantes num silêncio aterrador.
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| Mudar a vida de nosso povo depende de nosso voto. |
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Aniversário do Grande Oráculo!
" O domínio Google foi registrado no dia 15 de setembro de 1997. A empresa foi incorporada em 4 de setembro de 2008 e no dia 21 do mesmo mês, seu primeiro funcionário foi admitido. Apesar de todas essas datas provarem o contrário, os fundadores da companhia decidiram que o dia 27 de setembro deve ser lembrado como aniversário da maior empresa de buscas da atualidade, que completa 12 anos de atividade nesta segunda-feira.(...). Foi fundado nos EUA pelos então estudantes Sergey Brin e Larry Page (...)"
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Eu não sei você, mas eu NÃO VIVO SEM O GOOGLE.
Receita vegetariana? Google tem. Quer aprender sobre a resistência do chuveiro? Google ensina e ainda ilustra. Doença rara? Joga no Google. Oração para Santo Onofre? Até isso já está lá...
Honestamente, a agilidade de busca e compilação de informações e imagens que muitas vezes preciso para fazer meu trabalho, só ocorre graças ao Google e minha familiaridade com as ferramentas de busca.
Todavia, apesar de estar em festa porque "Google é nosso pastor e nada nos faltará", vale ressaltar uma observação já antiga que tenho a respeito do querido oráculo internético: ele só ajuda quem tem capacidade de leitura. E isso está cada vez mais raro na jovem geração. Mais: ele te ajuda mais se você for capaz de também ler em inglês. Então, embora o Google facilite a vida, isso só ocorrerá para o que primeiramente tiverem uma alfabetização competente, hábito de leitura (tradicional, no papel!) e dominarem o inglês. Fora isso, a pessoa se sente ainda mais perdida ao navegar. É como o garoto que ganha uma calculadora científica, mas não aprendeu a somar na ponta do lápis. Ele até a usa, mas é facilmente induzido ao erro...
Então minha proposta para comemorar data tão feliz para Google- Lovers como eu é essa: escolha UM LIVRO e LEIA. Qualquer um. Ler Harry Potter é muito melhor que não ler. Depois desse, comece outro. Não pare. NUNCA MAIS. Não precisa pressa. Melhor ler uma página por dia, que não ler. E comece a pensar em fazer aquele cursinho de inglês que você sempre adiou. Desse modo, ano que vem nesta data, terá muito mais a comemorar!
Pior que não ter informação, é tê-la tão próxima e não ser capaz de acessá-la. O Google tem de tudo? Sim. Coisas certas e erradas. Cabe a você saber garimpar e isso só acontece com a prática da leitura e interpretação e não com o automático zumbi control C control V.
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