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quinta-feira, 28 de junho de 2012

#Keep it Real

Embora atrasada um dia (o que tem sido normal atualmente rs), aqui estou em plena participação da mobilização criada no Facebook e chamada de Keep it Real. A idéia é criar uma manifestação que normatize ao menos uma fotografia SEM photoshop por publicação, por revista. Eu apoio totalmente. Talvez você leia isso e pense: mas que bobagem é essa? Bem, se alguma menina faz parte de sua vida, filha, neta, sobrinha, irmã, coleguinha, amiguinha, whatever, espero que leia este post e pense no futuro que você deseja para ela.
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O futuro que desejo para as meninas de hoje é que possam crescer se amando, achando-se bonitas e compreendendo que existem várias formas de beleza. Giseles continuarão nos desfiles, nas revistas. Mas haverão também modelos realmente plus-size (e não essas moças cheinhas rs), baixinhas (tão desprezadas sempre...), cabelos de todos os tipos, garotas tatuadas, anãs, fisioculturistas, cadeirantes e mulheres absolutamente comuns e parecida com as que você vê nas ruas. Esse é um futuro mais bonito que o atual porque é mais cheio de amor, diversidade, de olhos e mente abertos para as variações da beleza. O oposto do estampado nas revistas que ditam com punhos de aço uma estética inatingível para 99% das garotas, que portanto, acabam crescendo odiando seu corpo só pelo fato de não se parecer com o de outras pessoas. Veja que coisa sem sentido... Mas é essa falta de bom senso e profundidade que reina na mídia atual. 
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A vida de uma mulher deve ser mais que perseguir um corpo irreal. Uma mulher é muito mais que seu corpo, suas formas, sua estatura, sua aparência. Uma mulher é um ser humano. Parece clichê, mas às vezes acho que isso tem sido esquecido, quando vejo como nossas meninas vem sendo criadas. Erotização precoce, busca por padrões rígidos e estreitos de beleza, machismo (sim, infelizmente)... Quem sabe se estas meninas tiverem a chance de verem alguém mais parecido com elas, com a mãe, tia, ela não comece a se valorizar mais e a se aceitar mais. Ser mais feliz.
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Fiona Shrek - mulher sem photoshop, só no mundo da ficção!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Conheça Leila hoje!

Rita Lee diz em sua canção que "toda mulher é meio Leila Diniz". Tenho certeza de que Rita Lee concordaria comigo em atualizar a frase e trocar o "é" por "deveria ser". Assim, o alerta seria dado aos jovens desse inicio de séc. XXI. 
Leila Diniz faleceu, vítima de um acidente aéreo, há exatos 40 anos (uau!). Tinha uma atitude tão rock star que morreu aos 27 anos (como Hendrix, Amy, Janes, Court e outras vítimas da maldição dos 27). Em plena ditadura, Leila era desbocada, honesta, sincera e autêntica. Leila foi atriz. Fez 12 filmes e 12 novelas. Sua antológica entrevista ao Pasquim (com imensos trechos impublicáveis censurados) deveria ser leitura obrigatória para as meninas do ensino médio atual. Na verdade, para qualquer mulher de qualquer idade.
Eu tenho uma sobrinha maravilhosa, linda, inteligente, educada, um amor de menina mesmo. Confio em minha sobrinha e em suas escolhas, mas sabemos que a influência e a pressão da mídia e até de seu círculo social deve ser grande, então... Fico preocupada com os "ídolos" dos jovens.  A palavra ídolos está entre aspas porque não acho que os jovens de hoje tenha de fato ídolos (com os trintões e quarentões tiveram). Eles tem celebridades com as quais se identificam, mas não há aquela febre, ou a identificação com a palavra e a mensagem etc. Enfim, o ponto aqui é que se eu pudesse escolher uma influência para minha sobrinha, eu escolheria Leila Diniz ao invés de Britneys, Gagas, Sandys, Mulheres-frutas, paniquetes, BBBs , Giseles, Xuxas etc. 
Você tem contato com alguma garota? Faça um favor à vida dessa menina e apresente Leila Diniz e sua história pra ela. Faz um Google aí. Navega-se em tanta bobagem, que tal conhecer alguém que marcou a história da mulher no Brasil? Agora, se você não saca nada da importância do modelo de Leila para as meninas, então se informe antes. Você já está atrasada(o) !

Leila : linda, natural ...

...gostosa e poderosa!
ATENÇÃO: LEILA DINIZ É CONTRA-INDICADA PARA PESSOAS CARETAS, MACHISTAS, PRECONCEITUOSAS, PURITANAS E HIPÓCRITAS EM GERAL.

terça-feira, 8 de março de 2011

Dia internacional da mulher (jura?)

Mal sei andar e já tenho que cuidar de um filho?

A gente nasce, mal aprende a andar e colocam uma boneca quase do nosso tamanho pra gente já brincar de "mãe". Quando a coordenação se apura um pouco, chegam as panelinhas, forninhos e mais bonecas-filhas. Sem menininho (um marido) pra ajudar nas tarefas domésticas, apenas comadres tão experientes quanto a gente.
Daí vai crescendo e ouve que está tendo oportunidades iguais aos dos meninos da família. Então, funciona assim: você é exigida a saber fazer tudo que os garotos fazem e além disso ser uma princesa. Tem que trocar pneu, ser bem sucedida no trabalho, mas também ser super mãe, super mulher, super amante, super filha.... Crescer tentando atender tantas exigências veladas (as piores sempre são) é caminho certo para a frustração e infelicidade (Basta observar os comentários sobre aquela sua amiga que decidiu ser "apenas" dona de casa. Ou aquela que teve a ousadia de não querer ter filhos ou mesmo se casar).
No trabalho, em qualquer área, é preciso ralar cinco vezes mais para ser tratada com o mínimo de respeito. Nas promoções, nada de ilusões: um homem, mesmo sem o mesmo preparo, será a primeira opção. Ainda será solicitada para treiná-lo. Se for solteira, terá que ouvir argumentos do tipo: "ele tem família pra sustentar" e outras frases ridículas dessas situações em que a mediocridade é premiada. Não generalizo, falo apenas do que vivi ou já vi ao meu redor infelizmente.
Idoso, mulher, criança, índio, negro, gay... Todos poderiam comemorar na mesma data o descaso e a falta de respeito com que são tratados. Para mim, dia disso ou daquilo é apenas reflexo de falta de espaço na sociedade. Então tá, pega aqui um dia. E vê se não reclama...
O descaso e a falta de reconhecimento da mulher e seu papel, da contribuição do feminino em nosso universo começa tão cedo. Pior: é ensinado pelas mães. Por mais que uma mãe diga a sua filha que ela é igual ao seu irmão, o fato da menina TER que arrumar a própria cama e seu irmão NÃO, já diz mais que muitas frases vazias. A menina TEM que ajudar com a louça. O irmão está na sala, conversando com o pai, que também não ajuda em nada em casa. Criada para ser super, essa mulher nem reclama. Ela trabalha (fora e em casa), ajuda nas despesas, mas seu homem acha que ajudar significa apenas levantar os pés para que o chão seja varrido embaixo. Há exceções? Certamente. Todavia, estou me referindo a imensa maioria. Se você é homem e está lendo, balançando a cabeça negativamente, acredite: você não vê porque quando estamos numa posição confortável e vantajosa, fechamos os olhos para muitas coisas.
O que a mulher conquistou até hoje custou muito. Casamentos, lágrimas, famílias, pais, filhos, namorados, sangue, vidas... O preço foi e é altíssimo. E tudo só por um punhado de direitos. Coisa básica como votar, por exemplo.
Hoje é dia da mulher? Quer que eu dê pulinhos de alegria? Jura mesmo?Whatever. Para mim e para o resto das mulheres do planeta, um dia não compensa, nem muda os 364 dias restantes em que lutamos para sobreviver num mundo machista e misógino.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Câncer de mama - números do descaso

Não costumo fazer isso, mas o assunto é tão importante que vale a reprodução de um trecho da reportagem que saiu no Yahoo News:

"Números e dados chocantes sobre câncer de mama no Brasil - a doença que mais mata mulheres no país, por detecção tardia - foram divulgados nesta quarta-feira (29/09), num evento da campanha Avon Contra o Câncer de Mama. Cerca de um terço das 1000 mulheres de 70 cidades em todo o Brasil ouvidas numa pesquisa inédita sobre o tema, conduzida pelo Instituto Avon/Ipsos, nunca fez exames clínicos e só 40% das entrevistadas acima de 40 anos faz mamografia regularmente.

A pesquisa identifica que o baixo índice de informação aliado à precariedade do atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) são os grandes vilões dos altos índices de mortalidade provocados pela doença, que tem 95% de chances de cura se detectada em estágio inicial - o que só é possível com a mamografia. Já que 77% das mulheres ouvidas usam o SUS por não possuir plano de saúde, a pesquisa deixa claro que grande faixa da população feminina não passa pelo exame clínico nos consultórios nem tem o pedido de mamografia como procedimento de rotina dos médicos que as atendem (...)"
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Minha mãe teve câncer de mama. Ela sempre teve acesso a médicos e informação. Ela teve um diagnóstico bem no começo da doença. Suas chances de cura foram boas e ela se curou. Não foi milagre, embora eu seja uma pessoa espiritualizada. Foi informação e competência. Infelizmente, minha mãe é exceção no país que vivo, porque só teve o atendimento que teve porque sempre pagou um plano de saúde. E as milhares que não podem? Penso e fico revoltada e enojada. A corrupção, a ignorância e o descaso com o povo corroem qualquer modelo ou projeto de atendimento...

O modelo do SUS, no papel, é uma beleza. Sério. Mas só seria eficaz se o que está no papel pudesse ser concretizado de fato. Promover Saúde do coletivo requer INVESTIMENTO e PLANEJAMENTO. Grana, bufunfa, arame, money, pila associadas a administradores competentes. E bons profissionais da sáude, que não se formam do dia para noite, muito menos num sistema de ensino que sequer reprova (sim, estou pondo o dedinho na ferida da escola pública). Um bom profissional é um cara que "começou bem". Fez um primário bem feito. Aprendeu a ler e pensar. Teve uma escola boa com professores valorizados.Tem gente que acha educação uma coisa cara. A ignorância nos custa mais e o "preço" tende a aumentar. Ter uma escola com investimentos públicos miseráveis como atualmente ocorre é quase como não ter. Nosso país está formando uma legião de analfabetos funcionais. Eu fico indignada ao ver essa realidade porque estudei numa época em que a escola pública era a que tinha o ensino "forte". Fui fazer o colegial em uma instituição particular porque, meados da década de 80, a decadência do ensino público começava a surgir... (por favor, sei que ainda há muitas escolas públicas boas, mas são casos isolados e fruto de esforço, fatores locais e sacrífício pessoal de algumas pessoas - infelizmente não são a regra em nosso país).

E daí? E daí que essas pessoas serão pacientes sem capacidade de se informar e cuidar melhor da própria saúde e de sua família. A doença começa, muitas vezes, com a ignorância. A doença pode ter diagnóstico tardio e matar por causa da falta de informação... A reportagem indica que as mulheres sequer estão sendo examinadas clinicamente. Se elas tivessem informação, poderiam fazer auto-exame todo mês. Poderiam exigir a mamografia ou o ultrassom anual a partir dos 40 anos ou antes (em caso de histórico materno). Se tivessem recebido uma boa educação, poderiam aprender a votar e acompanhar o trabalho dos governantes...

Domingo teremos eleições. Tudo indica que o Tiririca (que é analfabeto e uma piada de mau gosto em uma eleição) será eleito deputado. Tudo indica que uma senhora  destemperada, despreparada e corrupta também será colocada no comando do país ... 

Durante a posse de ambos,  nossas mulheres estarão morrendo doentes e ignorantes num silêncio aterrador.

Mudar a vida de nosso povo depende de nosso voto.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Caso Bruno: Já se perguntou por que?


Oksana é ex-namorada do ator e diretor Mel Gibson. Ingrid Saldanha, ex-mulher do ator Kadu Moliterno. Mércia (advogada) e Eliza (modelo).
O que estas quatro mulheres têm em comum?
Vítimas da violência de seus companheiros.
Oksana e Ingrid estão vivas, mas Mércia e Eliza não tiveram a mesma sorte.
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Nestes quatro casos, os homens tinham situação financeira estável e confortável e status social.
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Por que um homem, sempre de força física superior à da mulher, julga-se no direito de agredí-la? Por que um companheiro acredita ter permissão para humilhar e torturar psicologicamente sua parceira?
Pergunto-me o seguinte: se todos ficamos putos e queremos "esganar" as pessoas que amamos em meio a uma briga ou discussão, por que a maioria não o faz de fato?
E por que esses caras vão até o final? Por que acham ter razão em agredir suas companheiras? Enfim, por que acreditam que a violência irá resolver qualquer questão que seja?
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Quem são esses caras? Que criação tiveram em casa?
Como viam suas mães? Como seus pais tratavam suas mães? Que imagem construíram da mulher ao longo de seu crescimento? Que mensagem sobre a mulher e o feminino internalizaram nessa trajetória?
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Não há que comentar sobre os casos que estamos vendo. São execráveis.
Mas se não começarmos a buscar entender como isso começa nesses homens, estaremos condenados a repetir essas tristes histórias indefinidamente.
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Acredito que a resposta esteja na criação e na estrutura familiar.
Você já foi a um desses almoços de domingo em que no final, as mulheres (e só elas) se encarregam de limpar e arrumar tudo, enquanto os homens (meninos e adultos) continuam a conversar tranquilamente ou vão fazer outra coisa, sem que nada lhes seja pedido por ninguém?
Já viram garotos que não retiram da mesa nem o próprio prato, que não arrumam a própria cama, mas cujas irmãs têm que fazer tudo isso?!
Ok, isso não os transforma em futuros agressores de mulheres, obviamente. Mas a semente do machismo, da misogenia já foi plantada.
Como essa planta monstruosa crescerá naquele garoto?
Quem sabe prever o futuro?
Quem são os ídolos desses meninos?
E como as mulheres estão sendo retratadas na mídia? O que estamos ensinando às meninas?
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Tudo isso deve ser repensado.
Estes quatro casos não foram episódios isolados.
Todos os dias há uma Maria que foi espancada, humilhada ou assassinada por um José (clique aqui para ler mais sobre isso).
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Até quando?