segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Você tem fome de que?

Recentemente, eu e os leitores do Blog Brasilliscus fomos surpreendidos com a decisão de encerramento do mesmo por parte de sua (genial) blogueira. Protestos carinhosos, previsíveis. É duro se acostumar com algo incrível e, de repente, ver-se privado desse prazer. Eu, pessoalmente, consigo compreender as duas coisas: ter e manter um blog e não ter/encerrá-lo.
Tudo depende da fome. Sim, fome mesmo. Na década de 80, eu era uma dos milhões de jovens que gritavam "Você tem fome de que?" junto com os Titãs. E na mesma canção, identificávamos uma fome nossa: "A gente não quer só comida/ A gente comida, diversão e arte" entre outras demandas do ser humano. Resumindo: suprimidas necessidades fisiológicas óbvias, toda pessoa tem outras "fomes". Pelo menos as pessoas que considero realmente interessantes. 
E isso não significa tornar-se um insatisfeito. Nem depende muito de grana. Sua fome é de criar? Gosta de escrever? Pegue folhas usadas, grampeie e escreva (opção mais barata possível). Tenha um blog. Escreva cartas (mesmo que não as remeta). Dê vazão a sentimentos e histórias. Impressões. Pensamentos. Gosta de desenhar? Desenhe. Mesmo que só mostre para os amigos, não importa realmente. O que importa é satisfazer sua fome de expressão. 
Minha fome é de dividir mensagens, um pouco de como vejo a vida, músicas que gosto, coisas que me irritam, minhas tiras toscas, videos fofos...Um pouco de tudo que me torna quem sou. Não tenho nenhuma expectativa de ser a única proprietária da verdade. Não tenho respostas, sou mais da turma das perguntas.
Meu senso de humor não é mais compreendido pelo mundo: herdei o gene do sarcasmo. Encanto-me com coisas popularescas e pouco intelectuais e não dou muita pelota pra turma do politicamente correto. Não sou nada diferente de qualquer um, mas minha fome é. E ter um blog foi um modo de saciar o desejo de deixar uma espécie de rastro digital. Um pouco de pequenas coisas que me revelam e ocultam ao mesmo tempo. Não sei se essa fome vem de uma negação inconsciente da morte, da minha finitude. E se for? E daí?
Bem, satisfazer a fome de dividir quem você é ou um pouco disso, tem um preço. O preço é receber manifestações grosseiras, ameaças, trolladas. O preço de se expor é ser julgado e rotulado. Mas tem também uma meia dúzia que comenta positivamente, que revela afinidade e empatia, que te estimula. Para mim, o mais tocante é receber algum comentário de pessoas que sequer conheço.
Espero que cada um descubra sua fome. Espero também que banquem satisfazê-la. Por exemplo, no meu núcleo familiar (pai, mãe, irmãos) ninguém acompanha meu blog. Por que dizer isso? Porque isso é algo que não me afeta, não me deixa triste, não faz a menor diferença em minha vida. Não espero reconhecimento nenhum. É só uma das muitas vias que utilizo para dividir quem sou e o que penso. Assim como uma camiseta ou adesivo num carro. 
É isso amigos. Não tenham medo. Esqueçam do medo. Exponham-se. Não se intimidem com as críticas. Faça acontecer e mate sua fome. É uma sensação deliciosa.

Minha nova fome: conhecer o mundo, os lugares, os cheiros


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