terça-feira, 5 de julho de 2011

Papo sério (vergonha...)

" Eu não me importo de pagar IPTU, IPVA, PIS, INSS.....(lista de impostos), mas eu queria ter um retorno do Estado". A declaração emocionada é de um portador do vírus da Hepatite C, que teve o fornecimento do Interferon interrompido pelo governo. O governo dá apenas o medicamento por 48 meses. Depois, o cidadão que se vire... O custo mensal do tratamento gira em torno de 1200 reais (um jantar de um deputado, pelo que notamos na gastança lá em Brasília...).
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O cidadão brasileiro nunca teve o direito a saúde assegurado pela constituição. No papel tudo é lindo. Quem depende do fornecimento desse ou outro medicamento do Estado sabe que na prática nem sempre é assim. Curioso ver que esse cidadão continua sendo esmagado por uma série de impostos. A sensação é de o Estado passa seu cidadão numa moenda. Quando sobrar o bagaço, abandona-o à própria sorte.
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Quem paga plano de saúde particular, não está muito melhor. Tente marcar uma consulta com a maioria de seus médicos associados...Você terá que aguardar meses. Sim, igual ao SUS mesmo (nada contra o SUS, que é superlotado, tem pouco verba e é  mal gerenciado).
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Quando um político importante fica doente ou tem qualquer piriri, assistimos o mesmo sendo levado ao Sírio Libanês, ao Eisntein ou a algum hospital de ponta. Mas quem paga todo esse tratamento (digno) e cuidado, quem paga o salário (alto) desses políticos, não recebe absolutamente nada de volta. As verbas destinadas à saúde são RIDÍCULAS.
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Tem como não se revoltar?

2 comentários:

Claudia Fontenelle Gonçalves disse...

Ju, já escrevi exatamente sobre o contrário: como no Brasil, ao contrário do resto do mundo, os medicamentos de alto custo são abundantemente distribuidos pelo Governo! Hahaha, o oposto!
É claro que acontecem algumas interrupções (comigo já aconteceu mil vezes) em grande parte motivadas pela chatíssima burocracia e logística capenga, mas não há outro país do mundo que tenha um padrão de distribuição com o Brasil. Vide coquetel de AIDS (onde somos os pioneiros) para não falar da minha própria doença, a Esclerose Múltipla. Quem mora em países civilizados precisa voltar correndo para o Brasil quando descobre que tem ela!!!!!
Clau (estou assinando pq minha conta google não funciona mais...)

Ju disse...

Sim,querida , eu li e fico muito feliz pelos avanços na distribuição de medicamentos em nosso país. O lance é o seguinte: Hepatite C muitas vezes não tem resposta com o prazo de tratamento estipulado pelo governo. Os médicos já se mobilizam há tempos para que o prazo seja a melhora ou mesmo a cura do paciente, mas o governo não está arredando pé. É o mesmo que virar pra vc e dizer: ok, tá aqui seu medicamento, mas só por 48 meses. Ou seja, quem deve determinar o tempo de tratamento é o médico e não o estado. Este tem dever de assegurar acesso a saúde e de fato bancar medicamentos como o interferon (no caso da hepatite C)e outros super caros e vitais. Fiquei muito tocada pelo depoimento que transcrevi. Beijos.